Inovação é um processo ingrato. Envolve investimentos que podem chegar a cifras estratosféricas, demanda tempo e energia da equipe, uma boa dose de boa vontade para ver seus experimentos falharem e um pouco de fé que suas premissas estão alinhadas para o caminho certo. O problema se torna ainda pior quando o resultado da inovação vai contra o negócio principal da sua empresa. Quando isso acontece, e você cria uma arma que está apontada diretamente para o coração da sua corporação, você dispara ela ou coloca ela de lado?

Diversas marcas passaram por esse dilema e sofreram as consequências de suas escolhas, para o bem ou para o mal. Veja o caso da Kodak, líder mundial em vendas de filmes e papéis fotográficos. Em 1975, Steven Sasson, engenheiro de P&D da companhia, inventou a câmera digital. Na época, a empresa avaliou que não era interessante lançar o novo produto no mercado, afinal, isso iria arruinar o carro-chefe da empresa. Só nos Estados Unidos, em 1976, a Kodak vendia 85% das câmeras e 90% dos filmes. Em todo o mundo, as porcentagens eram superiores a 50%. A empresa guardou seu novo produto a sete chaves. Isso, claro, até outras marcas lançarem a câmera digital e tomarem a dianteira. Posteriormente, os smartphones também incorporaram a tecnologia em seus dispositivos e deram o golpe de misericórdia na Kodak. A empresa tentou se reinventar, mas nunca se recuperou do baque. O gatilho não foi puxado. A empresa sucumbiu.

A Amazon fez o caminho contrário. A lendária empresa de Jeff Bezos se estabeleceu em seus primeiros anos vendendo livros pela internet. Com a evolução da empresa, a Amazon deixou de ser apenas um marketplace para compra de produtos, como passou a produzir seus próprios itens. Um dos mais icônicos talvez seja o Kindle, seu leitor de livros digitais. O problema? Muito provavelmente o novo produto iria canibalizar uma parcela significativa da venda de livros, que foi o core-business da empresa por muitos anos. Com a arma na mão, a Amazon não hesitou e puxou o gatilho contra si própria. O resultado foi avassalador. Um sucesso absoluto. Os estoques duraram apenas 5 meses depois do lançamento em 2007, além de criar um novo nicho de livros digitais do qual a empresa rentabiliza até hoje.

No mundo das empresas de rápido crescimento, a regra é criar, testar e adaptar. No livro Organizações Exponenciais, de Salim Ismail, Michael Malone e Yuri Van Geest, eles fundamentam as características de negócios que multiplicam seu valor através da inovação. Uma das particularidades que mais me chamou atenção entre esses dois tipos de empresas é sua relação com o status quo. Enquanto empresas mais tradicionais se agarram com unhas e dentes em seus sucessos do passado, as organizações que se baseiam na nova economia veem na destruição desses conceitos pré-definidos como a forma de conquistarem seu nicho de mercado. E assim, acabam transformando setores inteiros e deixando pedaços de grandes corporações pelo caminho. Nessa guerra de Davi contra Golias, o gigante nunca teve a menor chance.

Por isso, um conselho: se sua marca está no marasmo, na mesmice e não cria nada relevante há algum tempo, pegue uma arma e dê um tiro na cabeça dela. É pela sua própria sobrevivência.

Guilherme Bueno

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