Durante centenas de anos, todas as pessoas estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. Bastou um único Cisne Negro para colocar em xeque todo o conhecimento que era tido como uma verdade absoluta. Pode parecer algo trivial, mas não se deixe enganar. Cisnes Negros são eventos fora do âmbito das expectativas comuns, que exercem um impacto extremo e que fazem com que as pessoas desenvolvam explicações para sua ocorrência após o evento, tornando-o explicável e plausível. Caso você ainda não esteja conseguindo visualizar muito bem, pense no resultado do assassinato do arquiduque em 1914 que desencadeou a Primeira Guerra Mundial, a ascensão de Hitler e suas consequências, o fim repentino do Bloco Soviético, a disseminação da Internet, a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929. Olhando em retrospectiva, fica fácil entender o impacto e o que geraram todos esses eventos. Porém, na época, ninguém fazia ideia de onde eles vieram e as consequências que teriam. Todos esses episódios são Cisnes Negros e mudaram profundamente a nossa realidade, de maneiras que talvez nunca conseguiremos entender.

Uma viagem ao mediocristão e ao extremistão

Imagine dois mundos distintos, completamente diferentes, um escalável e o outro não. Em cada um deles, iremos escalar mil pessoas. No mediocristão, tudo tende à média. Eventos particulares não contribuem muito individualmente – só coletivamente. Pense na média de peso de uma população inteira. A pessoa mais gorda ou mais magra entre a amostra não irá causar um impacto significativo no resultado final, e a diferença entre elas será de no máximo algumas centenas de quilos. Porém, no extremistão, as coisas ficam mais interessantes. Imagine as mesmas mil pessoas; porém, dessa vez iremos considerar o patrimônio líquido das pessoas ali presentes. Digamos que uma delas seja o Bil Gates, com um patrimônio de bilhões de reais, enquanto as demais pessoas somam alguns milhões. Quanto do patrimônio total ele representaria? Talvez 99,9%? No extremistão, as desigualdades são tantas que uma única observação pode exercer um impacto desproporcional sobre o agregado ou sobre o total. Talvez você não consiga ver uma relação muito clara de toda essa teoria com o mundo dos negócios, mas não se deixe enganar. Cada vez mais empresas estão saindo do mediocristão e migrando para o extremistão e se transformando em Cisnes Negros.

Cisnes Negros sobrevoando o mundo corporativo

As indústrias e serviços pertenceram ao mundo mediocristão por muitos anos. No geral, as empresas conseguiam absorver uma determinada quantidade de demandas, mas não conseguiam ir muito além em suas entregas. Até que um Cisne Negro entrou no jogo e mudou tudo. Com a entrada da Internet e a transformação digital, milhares de empresas aproveitaram para rever seus modelos de negócio e se adaptar aos novos tempos. Vivemos a era das organizações exponenciais, na qual empresas enxutas conseguem desbancar os titãs. Em que um aplicativo de streaming de música consegue mudar a indústria fonográfica inteira. Em que uma empresa de hospedagem não possui um único quarto. Em que uma empresa de mobilidade não possui um único veículo. Em tempos em que a exceção se torna a regra, fazer negócio do mesmo jeito, sem levar em consideração o novo contexto, é perigosíssimo. Cisnes Negros estão à solta. Qual é a cor da plumagem da sua empresa?

Sobre o livro e o autor

“A Lógica do Cisne Negro” é muito mais que um compilado de ideias, com algumas histórias ilustrativas que servem para exemplificar o ponto central do livro: é impossível prever o futuro com precisão, e não temos nenhum controle sobre o que está para acontecer. O motivo disso são os Cisnes Negros, eventos que ninguém estava esperando que acontecessem, mas que eventualmente acontecem! Nassim Nicholas Taleb é o autor do livro, e seu estilo ácido e provocador torna a leitura divertida sobre um assunto que é denso e técnico. Aliás, Taleb, que também é investidor e analista de riscos na bolsa de valores americana, coloca em prática seus ensinamentos na vida real. Ele ganhou verdadeiras fortunas apostando que eventos altamente improváveis podem acontecer. Seu patrimônio crescia substancialmente justamente quando o de todos os outros estavam indo para o ralo, como na segunda-feira negra do índice Dow Jones nos anos 80, com a bolha da Internet da Nasdaq nos anos 90 e com a crise das hipotecas subprime nos anos 2000. Não saber que essas situações vão acontecer, mas estar preparado para elas, é a maior virtude de Taleb.

Capa do livro:

Guilherme Bueno

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