Ryan Holiday, conforme sinopse de seu livro “Acredite, estou mentindo”, é o resultado de uma mistura de Nicolau Maquiavel com David Ogilvy.

Holiday passou boa parte de sua carreira como diretor de marketing da marca varejista American Apparel, sendo considerado um estrategista de relações públicas. Seu principal ofício era interpretar os caminhos midiáticos da informação na internet; assim, foi capaz de

desenvolver uma série de táticas para “hackear” os veículos de mídia e a opinião pública, espalhando as mensagens que a marca queria divulgar.

“Acredite, estou mentindo” deveria ser leitura obrigatória não só para profissionais de marketing, mas para a população em geral. No cenário em que vivemos, com problemas como uma economia da atenção cada vez mais voraz e epidemias de fake news, o livro, ao expor as táticas secretas utilizadas por Holiday para manipular as mídias, também funciona como um guia de defesa pessoal para que não sejamos manipulados.

Mas de que forma ele fazia isso? Num mundo digital em que tudo precisa ser feito em alta velocidade, naturalmente o mesmo aconteceria para jornalistas que são constantemente pressionados para publicar as notícias com cada vez mais rapidez.

O ritmo acelerado de publicação na web premia a velocidade em vez da qualidade, o que, infelizmente, acarreta notícias publicadas com falta de fontes e sem a validação de que as informações são mesmo verdadeiras.

Arrependido, resolveu abandonar o passado de manipulador de mídias em 2014 ao começar a interpretar o impacto dos resultados envolvidos por essas táticas na prática. Cultura de cancelamento e propagação de fake news são exemplos contemporâneos do publique primeiro, questione depois.

Hoje, Ryan usufrui de uma vida com um ritmo compassado: atua como palestrante e também é autor de best-sellers sobre filosofia estoica. Procurou nos livros uma forma de abordar ideias com calma.

Gawker, Huffington Post, Business Insider e Bleacher Report são alguns dos grandes sites de mídia internacional que eram constantemente manipulados e se tornaram vítimas das táticas de Holiday.

Se isso é verdade para o jornalismo, também é para marcas: devido à velocidade constante das redes, devemos sempre questionar a troca da qualidade pela velocidade.

Conforme Ryan ensina, precisamos ter cuidado, pois a pressa pode nos tornar facilmente manipuláveis.

Matheus Sesterhenn

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