Repetição no marketing: por que sua marca cresce quando deixa de tentar ser sempre nova

Repetição no marketing é o que explica por que algumas marcas crescem enquanto outras passam despercebidas. Pode soar contraintuitivo, mas a lógica por trás disso é simples e profundamente humana.

 

Você não gosta de música boa. Você gosta de música repetida.

Pode soar provocativo, mas vale pensar com honestidade. Raramente uma música se torna sua favorita na primeira vez que você a escuta. No máximo, ela parece interessante.

Na segunda vez, você reconhece o início.
Na terceira, já antecipa o refrão.
Depois de algumas repetições, começa a cantarolar sem perceber.

E, quando percebe, aquela música virou especial.

O que mudou não foi a qualidade objetiva, mas sim a familiaridade.

 

 

O cérebro prefere o que é previsível

Existe um conceito clássico da psicologia social chamado efeito da mera exposição, estudado por Robert Zajonc. Ele demonstrou que, quanto mais somos expostos a um estímulo inicialmente neutro, maior tende a ser nossa preferência por ele.

Isso acontece sem argumento racional e sem convencimento sofisticado. A repetição, por si só, já cumpre esse papel.

A explicação é simples:

o cérebro busca eficiência energética. Aquilo que é familiar exige menos processamento cognitivo e, por isso, gera uma sensação de conforto. E, muitas vezes, esse conforto é interpretado como preferência.

Esse mecanismo vale para música.
E vale, talvez ainda mais, para marcas.

 

 

O que a repetição significa para marcas?

Quando aplicamos essa lógica ao marketing, o padrão fica evidente:

Primeiro contato: irrelevância
Quinto contato: reconhecimento
Décimo contato: familiaridade
Vigésimo contato: confiança

Esse é o processo que constrói presença de marca.

Como explica Byron Sharp em How Brands Grow, marcas crescem porque são mentalmente disponíveis, ou seja, vêm à cabeça com facilidade quando a categoria é ativada.

E essa disponibilidade mental não é construída com genialidade isolada. Ela é construída com repetição consistente ao longo do tempo.

 

O erro estratégico mais comum

A maior parte das empresas ignora essa lógica e, na tentativa de parecer relevante, acaba sabotando a própria construção de marca.

Lança uma campanha.
Depois muda o slogan.
>Muda a identidade.
>Muda o tom.
>Muda a estética.
>Muda a narrativa.

É como se uma banda trocasse de estilo a cada música.

Sem consistência, não há tempo suficiente para o cérebro formar memória estável. E, sem memória, não existe preferência. Sem preferência, não existe crescimento sustentável.

 

 

Criatividade eficaz não é reinvenção constante

Existe uma confusão recorrente entre novidade e efetividade.

As pessoas dizem que querem novidade. No entanto, o cérebro prefere familiaridade.

A criatividade que constrói marca não é aquela que reinventa tudo a cada ciclo, mas sim a que cria códigos consistentes e os repete com variações inteligentes.

O papel dos códigos consistentes

São esses códigos que constroem ativos distintivos, reduzem o esforço cognitivo e aumentam a probabilidade de escolha.

consistencia de marca

 

 

 

A pergunta estratégica que poucas marcas fazem

Talvez sua marca não precise ser mais diferente.

Talvez ela precise:

• aparecer mais
• manter os mesmos códigos
• repetir com disciplina
• sustentar presença ao longo do tempo

No marketing, muitas vezes o que parece falta de inovação é, na verdade, falta de consistência.

E talvez você não goste de música boa.

Talvez você apenas goste da música que teve tempo suficiente para se tornar familiar.

Marcas funcionam exatamente da mesma maneira.

Gustavo Ermel

Diretor de estratégia e inovação

O Gustavo acumula experiência em desenvolvimento, planejamento, consultoria e suporte de estratégias para o posicionamento sustentável de marcas de renome nacional e internacional. E se você pensa em fazer sua marca valer mais, ele é o cara que te ajuda a fazer isso.

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