Existe uma cena clássica em qualquer maratona: corredores largam eufóricos, ritmo forte demais, sensação de domínio. Nos primeiros quilômetros, todos parecem prontos para os 42km. A quebra não acontece no início. Ela acontece no meio. Ou pior: perto do fim.
No marketing e na estratégia, acontece exatamente o mesmo.
Esse artigo nasce como um desdobramento direto do texto maior “Pare de Culpar o Marketing: O Problema é a Estratégia (e a Jornada que Você Ignora)”, porque um dos erros mais recorrentes que vejo nas empresas está aqui: elas tratam crescimento como sprint, quando na verdade é maratona.
E não é metáfora bonita. É diagnóstico.
O erro começa antes da largada
Nenhum maratonista sério decide correr 42km apenas porque “viu alguém fazendo”. Existe preparo, base aeróbica, fortalecimento, teste de ritmo, leitura do percurso. Empresas fazem o oposto.
Elas:
– Definem metas agressivas.
– Aumentam verba de mídia.
– Cobram resultados imediatos.
– Ignoram completamente se o time, o processo e o funil suportam a jornada.
O problema não aparece no primeiro mês. Ele aparece quando:
– O CAC começa a subir.
– O time comercial cansa.
– A operação trava.
– A marca perde consistência.
É a famosa quebra no km 28.
Estratégia não é acelerar. É sustentar.
Na maratona, vencer não é correr mais rápido. É manter o ritmo certo pelo tempo certo.
No marketing:
– Estratégia não é volume de leads.
– Estratégia não é frequência absurda de anúncios.
– Estratégia não é “escala a qualquer custo”.
Estratégia é conseguir sustentar aquisição, conversão e retenção sem colapsar o sistema.
Empresas que não aguentam 42km normalmente têm três características:
– Funil mal desenhado (ou inexistente).
– Expectativa de retorno desalinhada com maturidade de mercado.
– Decisões reativas, não estratégicas.
Elas correm olhando apenas o cronômetro do curto prazo.
O marketing quebra quando a estratégia não existe
Aqui entra um ponto central do artigo maior e que merece ser reforçado. Quando a empresa não aguenta a jornada, quem apanha é o marketing. “O tráfego não funciona.” “O lead é ruim.” “O algoritmo mudou.” “O mercado esfriou.” Nada disso é causa. É sintoma.
O que realmente acontece é simples e desconfortável: a estratégia não foi pensada para durar. Marketing acelera o que já existe. Se a base é frágil, ele só antecipa a queda.
A falsa sensação dos primeiros quilômetros
Os primeiros resultados enganam. Campanhas entram no ar, leads chegam, o pipeline enche. A empresa interpreta isso como validação estratégica. Não é. É apenas inércia inicial. Na maratona, esse momento é conhecido: o corpo ainda está frio, a adrenalina alta, o desgaste invisível.
Na empresa:
– O funil ainda não foi testado no limite.
– O time ainda não saturou.
– O cliente ainda não foi acompanhado no pós-venda.
– A retenção ainda não apareceu nos números.
É por isso que decisões erradas parecem certas no início.
Quem não aguenta 42km, não tem problema de marketing
Tem problema de leitura de jornada.
O erro não está em investir. Está em investir sem entender:
– Onde o cliente realmente abandona.
– Onde o esforço operacional estoura.
– Onde o discurso de marketing não conversa com a realidade do produto.
– Onde a experiência prometida não se sustenta.
Maratonas não são vencidas na largada. Empresas também não.
Por que esse ponto importa agora
Esse artigo existe porque muita gente leu, ou vai ler, o texto principal e vai se reconhecer no problema, mas ainda vai tentar “ajustar mídia”. Este ponto 1 é um aviso claro: se sua empresa não aguenta 42km, não adianta trocar o tênis. É o treino que está errado.
Nos próximos desdobramentos, vou aprofundar exatamente onde as empresas quebram no percurso: funil, narrativa, operação, expectativa e tecnologia.
Se você quiser entender o quadro completo, a origem dessa reflexão está no artigo maior: “Pare de Culpar o Marketing: O Problema é a Estratégia (e a Jornada que Você Ignora)”.
Esse texto aqui é só o primeiro quilômetro consciente.




