A Fórmula 1 já foi um clube fechado: europeu, elitista e técnico. Por muito tempo, suas corridas eram seguidas apenas por entusiastas fiéis e pouco acessíveis ao público em geral. Mas tudo mudou em 2016, quando a norte-americana Liberty Media comprou os direitos da categoria por US$ 4,4 bilhões.
Foi aí que começou a verdadeira corrida. E não foi na pista.
O ponto de partida: de um produto técnico para uma experiência cultural

Inspiração em fórmulas sucesso baseadas de entretenimento com NFL e NBA
Sob o comando dos europeus, a F1 era performance. Com os americanos, virou espetáculo, conteúdo e plataforma de marca. A lógica aplicada foi a mesma das grandes ligas esportivas dos Estados Unidos, como a NFL e a NBA: criar audiência por meio de narrativa, emoção e entretenimento. E essa mudança não apenas aumentou a visibilidade — ela triplicou o valor da marca.
Drive to Survive: quando os bastidores viraram série e as corridas viraram cultura

Cartaz da sétima temporada da série Drive do Survive
Lançada pela Netflix em 2019, a série Drive to Survive foi o primeiro grande passo dessa transformação. Com linguagem acessível, foco nos bastidores e personagens reais, ela conquistou o público jovem, gerou memes, debates e viralizações. Resultado? Aumentou em 30% o público de 16 a 35 anos, ampliou o engajamento em 77% nas redes sociais e colocou a F1 no Top 10 da Netflix em mais de 50 países.
A nova fórmula do sucesso: digital, emocional e global

Presença 24/7 no Digital
O que a Liberty Media fez com a F1 foi aplicar uma estratégia de branding moderna, baseada em cinco pilares:
– Conteúdo com valor emocional: histórias, rivalidades e vulnerabilidades humanas
– Expansão geográfica: novos GPs em Miami, Austin e Las Vegas, com experiências ao vivo
– Parcerias de alto valor: Rolex, AWS, Salesforce, Heineken, entre outras
– Presença multiplataforma: Instagram, TikTok, YouTube, games e ativações constantes
– Alinhamento com marcas de luxo: Tiffany & Co., Louis Vuitton, Christian Louboutin e coleções com Tommy Hilfiger
Brad Pitt e o filme da Fórmula 1: um case bilionário de marketing

Atores contracenando com os verdadeiros pilotos no filme F1
Em 2024, a equipe fictícia APXGP, criada para o filme estrelado por Brad Pitt, mostrou que a Fórmula 1 já transcendeu o esporte. A produção arrecadou quase o dobro do investimento inicial e vendeu mais de US$ 40 milhões em patrocínios reais — com marcas como Mercedes, Heineken, EA Sports e T-Mobile.
O impacto financeiro foi imediato: as ações das empresas envolvidas subiram em média 3,35% na semana da estreia, somando US$ 7,8 bilhões em valor de mercado. O universo da APXGP ainda foi expandido com carros da Hot Wheels, linha da Tommy Hilfiger, conteúdo em videogames e ativações nas pistas. Um verdadeiro ecossistema de marca.
A lição definitiva: branding é cultura, não só comunicação

Brad Pitt com a equipe rival, a Escuderia Ferrari, ao fundo
Brad Pitt com a sua fictícia rival, Ferrari, ao fundoBrad Pitt com a sua fictícia rival, Ferrari, ao fundoA Fórmula 1 mostrou ao mundo o que acontece quando uma marca deixa de vender apenas um produto — e passa a representar valores culturais, emocionais e simbólicos.
Mais do que um campeonato, a F1 hoje é uma plataforma global de desejo e influência.
E isso se reflete diretamente no seu valor de mercado: comprada por US$ 4,4 bilhões em 2016, a Fórmula 1 é hoje avaliada em mais de US$ 17 bilhões. Um salto impressionante, construído não só com performance nas pistas — mas com branding estratégico, storytelling multiplataforma e gestão de marca baseada em cultura.
Quem domina a narrativa, lidera o mercado.
A estratégia de marketing da Fórmula 1 mostra que, quando uma marca deixa de vender apenas performance e passa a vender cultura, ela conquista relevância global e multiplica seu valor de mercado.




