Humanos ou máquinas?
A esta altura todo mundo já sacou, essa pergunta não faz mais sentido. O verdadeiro avanço não está em substituir a mente humana, mas em expandir seu alcance.
Este é um momento raro. Hoje, a inteligência artificial não nos supera — nos potencializa. Amplifica nossas capacidades como agentes de inventividade, sensibilidade e diferenciação.
Podemos dizer, com alguma certeza e muito entusiasmo:
pulsa entre nós a era da criatividade híbrida.
Humanos e máquinas jogando juntos
O xadrez, por séculos, foi símbolo da racionalidade humana. Mas quando Deep Blue venceu Kasparov, em 1997, muitos anunciaram o fim da era humana no tabuleiro.
Foi o próprio Kasparov quem propôs a reinvenção.
Nasceu ali o xadrez centauro: partidas em que humanos jogam junto com motores de IA. E o que aconteceu? Esses híbridos venceram os melhores humanos… e também as melhores máquinas.
O padrão de jogo se elevou a níveis nunca vistos. Por quê?
Porque a IA via padrões e cálculos com precisão sobre-humana. Mas o humano sabia quando ignorar o conselho frio da máquina.
Criatividade, improviso, sensibilidade ao contexto — nesse aspecto, o humano ainda era insuperável.
E o que isso diz sobre o momento que vivemos?
A criatividade híbrida não é soma. É expansão.
– Nós temos intuição, empatia, contexto, ambiguidade, caos criativo.
– A IA tem precisão, memória infinita, velocidade e um arsenal de possibilidades.
E é nessa parceria que nasce o novo criativo. Não o que teme ser substituído, mas o que lidera a colaboração.
O presente pertence aos centauros.
Não é mais homem ou máquina. É homem +máquina.
A nova liderança criativa está na orquestração dessa aliança. Os grandes criadores do nosso tempo serão híbridos, com ambições artísticas e fluência tecnológica.
Na prática: o que o criativo publicitário deve fazer hoje?
Antes do brainstorm
1. Use IA para mapear territórios criativos, gerar metáforas, analisar campanhas similares, tensionar direções.
Durante o brainstorm
1.Trate a IA como um membro da equipe.
2. Se uma ideia parecer fraca, peça para o GPTampliá-la.
3. Use Midjourney para visualizar, Runway para animar, Sunopara musicar.
Não é sobre pedir a ideia final — é sobre enriquecer o processo.
Em vez de cortar ideias pelo custo, corte o custo com ideias.
Hoje, ferramentas de IA viabilizam projetos complexos com produção enxuta:
– Midjourney + ElevenLabs + Suno: animatics sem filmagem.
– Runway: vídeos com efeitos cinematográficos.
– Sora / Pika / VEO 3 (Google): vídeos com movimento e performance realista.
– Heygen: avatares falantes realistas.
– Clonagem de voz + IA de trilhas: campanhas de áudio sem estúdio.
Tudo isso reduz barreiras, acelera protótipos e amplia impacto. Hoje, o gargalo não é tecnologia. É coragem para levar o novo até o público.
O mercado não está encolhendo. Está se multiplicando.
Com o crescimento de conteúdos gerados por IA, o volume de peças a serem criadas, adaptadas, lançadas e otimizadas cresceu exponencialmente.
Onde aumenta a quantidade, aumenta a necessidade de talento.
– Roteiristas
– Diretores criativos
– Curadores de conteúdo
– Designers de interação
– Estrategistas
A criatividade híbrida verticaliza a produção. Mas horizontaliza as possibilidades: mais telas, mais vozes, mais espaços, mais formatos.
Quais comportamentos fazem a diferença hoje?
– Use IA para prototipar rápido e convencer com evidência.
– Crie com base em dados, cultura e propósito — não só briefing.
– Entenda que seu valor está no que só você sente, conecta, escolhe.
– Seja o primeiro da equipe a dominar uma nova ferramenta — e ensine os outros.
O que é um bom criativo publicitário hoje?
– Artista, com repertório
– Técnico, com ferramentas
– Editor, com critério
– Produtor, com entrega
E no futuro?
A IA criativa plena vai chegar. E quando ela criar melhor que a gente, mais rápido que a gente, com mais impacto que a gente… o que vai nos restar?
A resposta não é apocalíptica, mas exige reinvenção.
Como eu vejo o publicitário do futuro:
– Narrador de experiências humanas– cria encontros reais, onde o digital ecoa o físico.
– Designer de briefings– sabe fazer a pergunta certa para extrair a resposta ideal da IA.
– Guardião de valores e ética– porque a IA não entende contextos morais.
– Maestro da colaboração criativa– orquestra talentos humanos e robóticos.
– Curador de criatividade– seleciona e molda ideias com sensibilidade.
Ou seja: vai ter trabalho. Vai dar trabalho. Vai ter pizza em algumas noites.
Pare de proteger o velho. Comece a inventar o novo. Kasparov não lamentou a morte do xadrez — propôs sua reinvenção.
O futuro não vai nos perguntar se estamos prontos. Ele vai apenas chegar. E os criativos que tiverem coragem de aceitar isso…
Vão continuar sendo criativos.
Mais relevantes, raros. Indispensáveis.
E, para deleite dos que amam soluções geniais:
A criatividade vai aumentar ainda mais o seu impacto.




